Em um ambiente saturado digitalmente, o acúmulo de mensagens deixou de gerar relevância e passou a comprometer sentido. O público não responde mais ao volume — responde à clareza.
Essa mudança é comportamental e estratégica: o “menos é mais” deixou de ser uma simplificação estética para se tornar um critério de valor.
O excesso como sintoma de um modelo esgotado

Durante anos, o marketing operou sob a lógica do acúmulo. Presença foi confundida com relevância, e produção constante virou sinônimo de sucesso. A estratégia cedeu lugar à repetição.
Esse modelo não entrou em crise por falta de execução, mas por saturação. Ao multiplicar mensagens, formatos e estímulos sem hierarquia clara, a comunicação perdeu densidade. O que antes chamava atenção passou a disputar espaço com tudo ao mesmo tempo.
Diante dessa sobreposição contínua de discursos, o público desenvolveu mecanismos mais rigorosos de filtragem. Não por desinteresse, mas por necessidade. A atenção deixou de ser distribuída automaticamente e passou a ser concedida com critério.
Insistir na lógica do volume, nesse contexto, não amplia impacto. Revela dificuldade de adaptação a um ambiente que exige escolha, coerência e direção.
Menos é mais como escolha estratégica
O princípio do menos é mais não significa comunicar pouco, mas comunicar com intenção. Trata-se de um reposicionamento do olhar estratégico, no qual cada decisão passa a ser orientada por relevância, e não por automatismo.
Essencialismo, aqui, não se confunde com minimalismo estético nem com redução operacional. Ele se manifesta como capacidade de escolha: escolher o que sustenta a marca, o que merece ser comunicado e o que constrói valor ao longo do tempo.
Essa lógica está presente na origem da Lebbe, conforme apresentada no livro. O percurso descrito não é linear nem idealizado. É um processo de depuração, marcado por acúmulo de experiências, excesso operacional e, em determinado momento, pela necessidade de ruptura.
Eliminar o que não agregava não foi um gesto conceitual. Foi uma decisão prática, orientada por clareza estratégica.
Comunicação essencial como resposta ao novo comportamento do público

A comunicação essencial emerge como resposta direta a esse novo cenário. Ela não busca ocupar todos os espaços disponíveis, mas sustentar um centro claro e coerente. Parte da essência da marca para organizar discurso, canais e ações.
Antes de falar, estrutura.
Antes de expandir, aprofunda.
Antes de reagir, compreende.
Essa abordagem se contrapõe à comunicação inflada, fragmentada e reativa. Em vez de multiplicar mensagens, constrói coerência. Em vez de responder ao ruído, estabelece direção.
Nesse ponto, a comunicação deixa de ser apenas execução e passa a exercer função estratégica.
O papel do marketing estratégico em um ambiente saturado
Em um cenário marcado pelo excesso, o marketing estratégico deixa de ser diferencial e passa a ser condição de sustentação. Sua função é organizar o sistema comunicacional, conectando essência, posicionamento e ação de forma consistente.
No livro, esse raciocínio se materializa na Mandala Lebbe. Não como teoria abstrata, mas como resposta a uma necessidade prática: estruturar o marketing de forma integrada. Do núcleo da marca às ações de performance, cada movimento passa a responder a uma lógica comum.
Não é a quantidade de ações que fortalece uma marca, mas a coerência entre elas.
O público não quer mais excesso. Quer sentido.
A mudança no comportamento do público é objetiva. Marcas passaram a ser percebidas menos pela frequência com que aparecem e mais pela consistência do que sustentam. Menos pela novidade constante e mais pela clareza do posicionamento.
Esse movimento exige maturidade estratégica. Exige abrir mão do impulso de ocupar todos os espaços para assumir a responsabilidade de escolher os espaços certos.
Comunicar menos não significa desaparecer. Significa permanecer com relevância.
Menos como método.
Melhor como consequência.
Na Lebbe, o essencialismo não é discurso aspiracional. É método construído a partir da experiência, do desgaste e da necessidade concreta de reorganizar o marketing para que ele voltasse a fazer sentido.
Defender o menos é mais hoje é assumir um posicionamento claro diante da saturação digital. É compreender que comunicação essencial não simplifica a marca, mas a fortalece. E que marketing estratégico não acelera o discurso, mas o sustenta.
Menos ruído, mais clareza.
Menos excesso, mais valor.
Não é uma tendência — é o novo critério de relevância.