O tripé que sustenta marcas que crescem (e que a maioria ignora)

Como Presence, Attack e Disruption trabalham juntas para fazer seu marketing girar de verdade

Nos artigos anteriores, construímos a base. Branding no centro, definindo quem você é. BEE traduzindo isso em emoção. Life estruturando a representação institucional de tudo isso.

Agora, com essa base sólida, entra a parte que faz o marketing girar. As três camadas ativas da Mandala Lebbe: Presence, Attack e Disruption. São elas que movimentam. São elas que geram resultado. São elas que, dia a dia, traduzem estratégia em crescimento real.

Mas aqui está o problema: a maioria das empresas usa essas três camadas de forma aleatória, sem coerência, sem priorização. Investe tudo em uma, ignora outra, e trata a terceira como experimento casual.

E o resultado? Marketing que corre sem direção. Orçamento que some sem retorno claro. Equipe frustrada tentando fazer tudo ao mesmo tempo. Vamos mudar isso.

O papel das três camadas ativas

Antes de explicar cada uma, preciso deixar algo claro: Presence, Attack e Disruption não são opcionais. São as três pernas do tripé que sustenta o crescimento. Remove uma, o tripé cai.

Mas mais importante ainda: as três são determinadas pelo que foi decidido nas camadas anteriores. Branding define o que você comunica. BEE define como as pessoas sentem. Life estrutura como você entrega.

Presence, Attack e Disruption executam isso na prática.

Cada ação nessas camadas precisa responder uma pergunta fundamental: isso está alinhado com nosso branding e BEE? Se não, não faz. É essencialismo aplicado ao marketing. Menos coisas, mas as certas. Focadas. Intencionais.

Presence: construindo autoridade que dura

Presence é sua presença orgânica. Tudo que você constrói sem pagar por cada clique ou visualização.

É o jogo mais longo das três camadas. Planta hoje, colhe em meses ou anos. Mas quando funciona, gera resultado mais sustentável e com menor custo.

Presence engloba:

  • Conteúdo educativo e relevante (artigos, vídeos, posts)
  • SEO que posiciona você nas buscas ao longo do tempo
  • Autoridade construída através de consistência
  • Relacionamento orgânico com audiência
  • Reputação que se forma naturalmente

A função de Presence na Mandala é clara: construir territórios na mente das pessoas antes de você precisar vender.

Quando alguém precisa de solução que você oferece, você já está na cabeça dela como referência. Não porque pagou para aparecer. Porque construiu autoridade real.

Este artigo que você está lendo agora? É Presence.

Mas Presence vai muito além de redes sociais. É como você se relaciona com seus clientes depois da venda. É como você aparece na mídia – uma boa assessoria de imprensa posiciona sua marca como autoridade sem custear um único clique. É como você mantém presença em eventos, publicações do setor, conversas do mercado. É tudo que comunica sua marca sem ser pago por veiculação.

O erro mais comum com Presence: tratá-lo como “tarefa do estagiário”. Postar porque “precisamos manter ativa a página”. Sem estratégia, sem consistência, sem conexão ao branding. Presence fraco é ruído. Presence forte é imã que atrai público qualificado.

Attack: acelerando com propósito

Attack é sua execução em mídia paga. É onde você investe dinheiro para amplificar mensagem, acelerar resultado, conquistar espaço mais rapidamente.

Attack engloba:

  • Google Ads, Meta Ads, LinkedIn Ads
  • Campanhas sazonais estruturadas
  • Influenciadores alinhados à marca
  • Retargeting bem estruturado
  • Mídia tradicional quando faz sentido

A função de Attack na Mandala é clara: amplificar o que você já é.

Não criar. Não inventar. Amplificar.

Se seu branding é sólido e seu BEE conecta, Attack pega isso e joga para mais pessoas. Mais rápido. Com mais alcance. Mas – e esse é o ponto crítico – Attack só funciona bem se o que está sendo amplificado já está bem estruturado.

Amplifica marca confusa? Gera mais confusão. Amplifica mensagem sem emoção? Gera mais frieza. Amplifica site que não converte? Queima dinheiro.

Attack é megafone. Megafone só vale se você sabe exatamente o que dizer.

O erro mais comum com Attack: usar como solução para tudo. “Vendas caíram? Aumenta orçamento de anúncios.” “Marca não aparece? Coloca mais dinheiro em mídia paga.”

Attack não resolve problemas de base. Resolve problemas de alcance e velocidade, quando a base já está sólida.

Disruption: inovando dentro do território

Disruption é a camada mais externa e mais experimental.

É onde você testa coisas novas. Experimenta canais emergentes. Cria formatos diferentes. Explora oportunidades que ninguém mais está usando no seu mercado.

Disruption engloba:

  • Growth (teste) em novos canais com potencial
  • Parcerias inusitadas mas estratégicas
  • Experimentos de formato e comunicação
  • Tendências que fazem sentido para o seu posicionamento
  • Projetos que diferenciam sem trair identidade

A função de Disruption na Mandala é clara: encontrar novas formas de conectar sua marca ao público sem sair do seu território.

Disruption não é sobre ser diferente por ser diferente. Não é sobre perseguir cada modismo que aparece. É sobre testar com inteligência. Experimentar dentro das fronteiras do seu branding e BEE.

Greg McKeown, em “Essencialismo”, nos lembra: não é sobre fazer mais. É sobre fazer o que realmente importa. Disruption segue essa lógica exatamente.

O erro mais comum com Disruption: ignorá-la completamente ou terceirizá-la como “coisa do estagiário para testar”. Disruption é estratégica. Precisa de inteligência, de análise, de conexão com o posicionamento central.

Como as três camadas se conectam

Aqui está onde a magia acontece: Presence, Attack e Disruption não são camadas independentes. Elas se alimentam mutuamente.

Presence gera conteúdo e autoridade que Attack pode amplificar. Attack acelera resultados que Presence levaria meses construindo. Disruption encontra novos caminhos que alimentam tanto Presence quanto Attack.

Pense como um ecossistema:

Você cria conteúdo educativo forte (Presence). Esse conteúdo atrai público qualificado organicamente. Você então usa Attack para acelerar a distribuição desse mesmo conteúdo. E usa Disruption para testar formatos ou canais novos que podem ampliar ainda mais o alcance.

Não são ações soltas. São partes de um sistema que, quando funciona integrado, gera resultado muito maior que a soma das partes.

O equilíbrio entre as três

Aqui está a pergunta que todo gestor faz: “Quanto investir em cada uma?”

Não existe fórmula única. Depende do estágio da empresa, do mercado, dos objetivos. Mas existe uma lógica geral que observei ao longo de anos:

Empresas que estão construindo marca (estágio inicial ou reposicionamento):

  • Mais peso em Presence (constrói autoridade)
  • Attack mais conservador (amplifica apenas o que já está funcionando)
  • Disruption como experimento calculado

Empresas que já têm marca consolidada e querem escalar:

  • Presence continua como base
  • Attack mais agressivo (marca já está clara, hora de acelerar)
  • Disruption mais ativa (marca forte permite mais experimentação)

Empresas em momento de crise ou mudança:

  • Presence como âncora (mantém autoridade durante transição)
  • Attack reduzido (não amplifica mensagem que ainda está sendo redefinida)
  • Disruption pausada (não é hora de experimentar)

A chave não é a proporção exata. É ter clareza de por que está investindo em cada camada.

Erros comuns na alocação de recursos

Ao longo de 23 anos atendendo mais de 2.000 empresas, vi alguns erros se repetirem com frequência brutal:

Erro 1: Colocar tudo em Attack

“Se eu jogar mais dinheiro em anúncios, vai funcionar.”

Não funciona se Presence é fraco (não tem autoridade para sustentar) e se Life está desalinhado (não converte o tráfego gerado).

Atendi empresa que investia 90% do orçamento em mídia paga. Taxa de conversão? 0,8%. Quando rebalanceamos, investindo em Presence e ajustando Life, a taxa foi para 3.2%. Com menos dinheiro em anúncios, mais resultado.

Erro 2: Ignorar Presence completamente

“Presence é lento, não gera resultado imediato. Vamos focar só em Attack.”

Erro estratégico grave. Presence é a base que reduz custo de aquisição no longo prazo. É o que gera leads mais qualificados. É o que constrói autoridade que Attack sozinho nunca conseguiria.

Empresa que cortou Presence por seis meses para “focar em vendas” viu custo de aquisição aumentar 67% em menos de um ano. Porque sem conteúdo e autoridade, cada cliente custa mais para conquistar.

Erro 3: Tratar Disruption como brinquedo

“Vamos colocar estagiário para rodar TikTok e ver o que acontece.”

Disruption precisa de estratégia. Precisa ser alinhada ao branding e BEE. Experimento aleatório não é Disruption, é desperdício de tempo.

Erro 4: Não revisar a alocação

Empresa que definiu proporção de investimento uma vez e manteve durante dois anos, ignorando dados, ignorando mudanças de mercado, ignorando o que estava funcionando ou não.

As três camadas precisam de revisão constante. O que funciona hoje pode não funcionar daqui a três meses. Dados devem guiar decisões.

Erro 5: Desalinhar das camadas anteriores

Ação de Attack que contradiz BEE. Conteúdo de Presence que não reflete branding. Experimento de Disruption que trai posicionamento.

As três camadas ativas devem servir ao centro. Sempre. Sem exceção.

Como decidir o que fazer primeiro

Quando você olha para as três camadas e não sabe por onde começar, use esta lógica simples:

Primeiro: Avalie a base

Branding está claro? BEE está definido? Life está estruturado?

Se não, antes de qualquer ação nas camadas ativas, consolide a base. Camadas ativas sem base são como acelerar um carro sem direção.

Segundo: Identifique o gargalo

O problema é alcance? (Poucas pessoas conhecem você) → Priorize Presence e Attack.

O problema é conversão? (Pessoas chegam mas não compram) → Revise Life antes de investir mais em Attack.

O problema é estagnação? (Já cresceu, mas não consegue ir adiante) → Disruption pode ser o caminho.

Terceiro: Foque no que gera mais resultado agora

Não tente fazer tudo perfeito ao mesmo tempo. Identifique qual camada, neste momento, pode gerar mais impacto com menos esforço.

Comece por aí. Execute bem. Meça. Ajuste. Expanda.

É essencialismo aplicado à execução de marketing.

O papel da revisão constante

Uma coisa que a maioria das empresas ignora: as três camadas precisam de revisão regular.

O que funciona em janeiro pode não funcionar em junho. O mercado muda. O público muda. Algoritmos mudam. Concorrência muda.

Não estou falando de recriar estratégia todo mês. Estou falando de revisar dados regularmente e ajustar o que precisa ser ajustado.

Pergunte-se trimestralmente:

  • Qual camada está gerando mais resultado por real investido?
  • Qual camada está subperformando?
  • O que as três camadas estão comunicando? Está alinhado ao branding e BEE?
  • Onde estou desperdiçando recursos?

Dados não mentem. Use-os.

Como saber se as três camadas estão funcionando juntas

Teste 1: Coerência

Pega uma ação de Presence, uma de Attack e uma de Disruption da última semana. As três comunicam a mesma marca? Mesmo tom? Mesmo posicionamento?

Se não, as camadas estão desalinhadas.

Teste 2: Resultado por camada

Você consegue medir o resultado de cada camada separadamente? Sabe qual parte do orçamento gera mais retorno?

Se não, não tem visibilidade para tomar boas decisões de alocação.

Teste 3: Crescimento sustentável

Seus resultados crescem de forma consistente? Ou são picos isolados seguidos de quedas?

Crescimento consistente é sinal de camadas funcionando juntas. Picos isolados é sinal de dependência excessiva em uma camada só.

O tripé completo

Presence constrói. Attack acelera. Disruption inova.

As três precisam de branding claro para ter direção. Precisam de BEE definido para ter emoção. Precisam de Life estruturado para ter consistência.

E as três precisam trabalhar juntas. Integradas. Alimentando uma à outra.

Não é sobre fazer tudo. É sobre fazer o certo, na proporção certa, no momento certo.

Porque marketing que gira bem não é sobre quantidade de ação. É sobre qualidade de decisão.

E decisão boa começa com clareza sobre qual camada, neste momento, precisa da sua atenção.

Nos próximos artigos, vou aprofundar em cada uma das três camadas individualmente. Como criar Presence que gera autoridade real. Como usar Attack sem desperdiçar orçamento. Como fazer Disruption que inova sem trair identidade.

Porque o tripé só sustenta quando cada perna está forte.

SEO da Lebbe
Fernando Lebbe